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05/11/2004 - Reportagem publicada na revista Globo Rural - Edição 222 - Abril 2004

Site Oficial:
http://revistagloborural.globo.com/GloboRural/0,6993,EEC708052-2584-1,00.html

CARACTERÍSTICAS, APLICAÇÃO E CURIOSIDADES

Quase esquecido e extinto, o guanandi torna-se boa alternativa de renda por ser similar ao mogno

Texto Gustavo Laredo
Fotos: Ernesto de Souza

Após trabalhar por 30 anos na Secretaria de Agricultura do Estado de São Paulo, na região de Monte Alto, a 360 quilômetros da capital paulista, o engenheiro agrônomo Lourival Vasconcelos decidiu não ficar parado. Aposentado, continuou fazendo assessoria ambiental para diversas comarcas judiciais do estado, e hoje verifica se os agricultores respeitam a lei que os obriga a reflorestar 20% da propriedade com espécies nativas. Percebeu que muitos produtores não se preocupavam com as áreas úmidas próximas a rios e se debruçou na literatura para saber qual planta se adaptava a esse tipo de ambiente. Descobriu o guanandi.

Na verdade, o agrônomo ajudou a resgatar essa árvore do esquecimento e da extinção. Durante o período regencial, o guanandi foi considerado monopólio do estado brasileiro e em 1835 tornou-se a primeira madeira de lei do país. No entanto, a exploração desenfreada quase a fez desaparecer do mapa. Os produtores só voltaram os olhos para a árvore quando souberam que ela produz uma madeira similar ao caríssimo mogno, que tem preço de mercado em torno de dois mil reais o metro cúbico. E com duas vantagens: o artigo 12 do Código Florestal permite sua plantação e corte, e a planta não é atacada pela broca Hypsipyla grandela, uma praga que afeta o crescimento do mogno. De quebra, Vasconcelos observou que o guanandi se desenvolvia até melhor em terrenos mais secos. Com solos muito encharcados, as raízes recebem pouco oxigênio e o crescimento da árvore pode ser até 30% menor.

Mudas

Em 1994 o engenheiro arrendou cinco hectares e passou a produzir mudas que atendessem a produtores que precisavam reflorestar, e ainda queriam ganhar dinheiro com isso. Produz 200 mil mudas por ano, cada uma vendida a dois reais. É o resultado de dez anos de trabalho que vai parar nas mãos de colegas de profissão e fazendeiros de diversas regiões do país. O entusiasmo é tanto que ele até criou um site na internet, o www.reflorestar.com.br.

Quem pretende plantar guanandi deve desembolsar dois mil reais por hectare e ter paciência. A árvore demora cerca de 18,5 anos para chegar ao ponto ideal de corte, mas a cada mil mudas plantadas é possível lucrar 600 mil reais. Por não apodrecer na água, a madeira é usada na fabricação de tonéis de vinho e na construção naval, além de ser cobiçada pela indústria moveleira.

Não é preciso muita mão-de-obra para cuidar de uma plantação. Uma pessoa é capaz de plantar 200 mudas e cuidar de 50 hectares. A melhor época de plantio ocorre nos meses de chuva. Nos períodos secos, a planta precisa receber 20 litros de água a cada três dias, somente nos 1º e 2º meses (se não chover). Recomenda-se que a cada ano seja eliminada 1/3 da copa para que não ocorram bifurcações no tronco que comprometam o crescimento. Por ser rústico e nativo, o guanandi não é atacado por muitas pragas. No primeiro ano de cultivo, deve-se ficar atento às formigas cortadeiras. Depois a planta produz um líquido viscoso capaz de afastar esses insetos. Com a observação atenta a todos esses detalhes, Vasconcelos chegou aos 60 anos acreditando que deixou um excelente legado aos seus filhos, que irão colher mais tarde os frutos de sua aposta.

Descrição

'O QUE É GRUDENTO'

NOME CIENTÍFICO Calophyllum brasiliense

NOMES POPULARES A espécie é popularmente conhecida como guanandi, palavra proveniente do tupi gwanã'di que significa 'o que é grudento'. É provável que o nome venha do látex pegajoso de coloração amarelo-esverdeada eliminado pela casca, e porque os frutos possuem uma polpa branca viscosa. Tem diversos apelidos no Brasil. Os baianos, por exemplo, a chamam de landi, landim e jacareíba. No Amazonas é chamada de jacareúba e, no Paraná, de cedro-d'água.

CLASSIFICAÇÃO A planta pertence à família Clusiaceae ou Guttiferae, que possui mais de 150 espécies, entre elas a malva-do-campo. O gênero Calophyllum significa 'flor bonita'.

DISTRIBUIÇÃO O guanandi ocorre desde o México até o Paraguai. No Brasil, o guanandi pode ser visto do Amazonas ao Rio Grande do Sul.

CARACTERÍSTICAS De copa larga e arredondada, com folhagem verde-escura, o guanandi pode chegar a 40 metros de altura e 150 centímetros de diâmetro. O tronco reto e cilíndrico é protegido por uma casca marrom-escura. As flores brancas costumam aparecer entre setembro e novembro. A maturação dos frutos se faz de abril a junho. A semente tem cor castanha e mede até 22 milímetros de diâmetro.

Fonte: Paulo Ernani Ramalho Carvalho, pesquisador da Embrapa Florestas.

Bibliografia: Espécies Arbóreas Brasileiras, Volume 1. Paulo Ernani Ramalho Carvalho, Embrapa Florestas.

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